{"id":4067,"date":"2024-03-06T12:03:17","date_gmt":"2024-03-06T15:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalsaopaulonews.com.br\/?p=4067"},"modified":"2024-03-06T12:03:17","modified_gmt":"2024-03-06T15:03:17","slug":"valorizacao-das-mulheres-como-a-interseccionalidade-impacta-nos-avancos-dessa-pauta-e-trava-a-inclusao-efetiva-de-mulheres-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalsaopaulonews.com.br\/en\/valorizacao-das-mulheres-como-a-interseccionalidade-impacta-nos-avancos-dessa-pauta-e-trava-a-inclusao-efetiva-de-mulheres-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres: como a interseccionalidade impacta nos avan\u00e7os dessa pauta e trava a inclus\u00e3o efetiva de mulheres no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Censos de Diversidade produzidos por Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, comprovam que ainda h\u00e1 muito o que melhorar para que o tema da igualdade de g\u00eanero esteja equacionado no Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de mulheres no mercado de trabalho ainda demanda muita aten\u00e7\u00e3o, principalmente quando analisada a partir da interseccionalidade feminina. Neste m\u00eas, em que celebramos a luta hist\u00f3rica das mulheres por igualdade de g\u00eanero, a especialista Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, consultoria de Sustentabilidade e Diversidade e Conselheira Deliberativa do Instituto Tomie Ohtake, chama a aten\u00e7\u00e3o para um equ\u00edvoco que tem se perpetuado: o entendimento de que a quest\u00e3o feminina est\u00e1 equacionada. \u201cQuando falamos sobre o direito das mulheres, muitos entendem que este tema j\u00e1 foi resolvido dentro das empresas, pois focam exclusivamente no percentual de mulheres em cargos de base, desconsiderando o quanto seguem extremamente sub-representadas na lideran\u00e7a, sobretudo no n\u00edvel gerente e acima, e deixam de observar que a representatividade presente, muitas vezes \u00e9 quase que exclusivamente de \u00a0mulheres brancas, heterocisnormativas e sem defici\u00eancia. Deixando de fora mulheres negras, LGBTQPIAN+, com defici\u00eancia, perif\u00e9ricas, entre outros\u201d.<\/p>\n<p>O estudo <strong>Diversidade, Representatividade e Percep\u00e7\u00e3o &#8211; Censo Multissetorial da Gest\u00e3o Kair\u00f3s 2022 <\/strong>traz dados interseccionais que comprovam a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de que, quando se trata de mulheres, existem diversos recortes a serem considerados antes de propagar que h\u00e1 avan\u00e7os significativos na tem\u00e1tica, principalmente no mercado de trabalho. Entre os mais de 26 mil respondentes do estudo, no quadro funcional das empresas, s\u00e3o 32% de mulheres. Por\u00e9m, quando recortamos os dados, 88% s\u00e3o mulheres brancas, 9% s\u00e3o mulheres negras (sendo 7% pardas e 2% pretas), ou seja, n\u00famero quase 10 vezes menor em termos de representatividade, seguidas por 2% de mulheres amarelas e 0,2% de mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando analisada a quest\u00e3o da diversidade sexual, os dados mostram que no quadro funcional, 97,4% das mulheres s\u00e3o heterossexuais, 1,5% s\u00e3o l\u00e9sbicas e 1,1% s\u00e3o bissexuais. Ao todo, 99,7% s\u00e3o cisg\u00eaneras e apenas 0,3% transg\u00eanera. No que se refere \u00e0 defici\u00eancia, 99,6% das mulheres n\u00e3o t\u00eam defici\u00eancia e 0,8% s\u00e3o mulheres com defici\u00eancia. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade, apenas 7,6% t\u00eam 40 anos ou mais e somente 1,4% t\u00eam 50 anos ou mais.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com esse estudo, os n\u00fameros caem drasticamente quando se trata dos cargos de lideran\u00e7a (gerente e acima): 25% s\u00e3o mulheres, 3% mulheres negras (2% pardas e 1% pretas). \u201c\u00c9 poss\u00edvel observar que, quanto mais marcadores identit\u00e1rios, menor \u00e9 a representatividade dentro das estruturas. Na m\u00e9dia da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, que aponta 25% de mulheres e 75% de homens, o n\u00famero de mulheres negras \u00e9 cerca de 7 vezes menor que o n\u00famero de mulheres brancas, com o percentual de mulheres pardas sendo o dobro de mulheres pretas\u201d, explica Liliane Rocha.<\/p>\n<p>Em termos de diversidade sexual na lideran\u00e7a das empresas, l\u00e9sbicas s\u00e3o 0,8% e bissexuais 1,1%. \u201cOutro fato que devemos atentar \u00e9 que quanto maior o n\u00edvel hier\u00e1rquico dentro das estruturas, maior \u00e9 a tend\u00eancia da autodeclara\u00e7\u00e3o como heterossexual. Uma hip\u00f3tese \u00e9 de que esse p\u00fablico, em particular, se sinta menos confort\u00e1vel em autodeclarar sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. Portanto se houver mulheres LGBTs elas n\u00e3o se declaram\u201d, acredita a especialista. Ainda olhando para os dados de lideran\u00e7a, mulheres com 40 anos ou mais s\u00e3o 11,4% e com 50 anos ou mais 2,4%. \u201cEm uma sociedade que vive a invers\u00e3o da pir\u00e2mide et\u00e1ria, na qual a expectativa de vida \u00e9 de pelo menos 76 anos, vemos que a representatividade de mulheres com a partir de 50 anos \u00e9 cerca de 4,7 vezes menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres com entre 40 e 49 anos. Isto \u00e9 estruturalmente muito grave.\u201d, refor\u00e7a Liliane Rocha.<\/p>\n<p>J\u00e1 o estudo <strong>Publicidade Inclusiva \u2013 Censo de Diversidade das Ag\u00eancias Brasileiras 2023<\/strong>, produzido pela Gest\u00e3o Kair\u00f3s em parceria com o ODP (Observat\u00f3rio da Diversidade na Propaganda) e realizado com 24 ag\u00eancias de publicidade, representando cerca de 6300 respondentes, no quadro funcional (330 funcion\u00e1rios), 57% s\u00e3o mulheres e 21% s\u00e3o mulheres negras. J\u00e1 na lideran\u00e7a das ag\u00eancias, entre os 105 l\u00edderes (gerente e acima), 49,8% s\u00e3o mulheres e 4,6% s\u00e3o mulheres negras. Desse contingente, entre os 13 CEOs e Presidentes de ag\u00eancias, apenas 1 \u00e9 mulher &#8211; <strong>importante refor\u00e7ar que na ocasi\u00e3o em que o estudo foi feito n\u00e3o havia nenhuma mulher negra nesses cargos.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPrecisamos repensar a posi\u00e7\u00e3o da mulher sob os aspectos de g\u00eanero, ra\u00e7a, sexualidade, idade etc. o que me remete a um conceito importante introduzido por Simone de Beauvoir, que nos revela a mulher como sendo sempre vista como o \u2018outro\u2019, a partir da perspectiva do homem, e jamais como a si mesma. Concordo totalmente com o conceito, e, enquanto mulher negra pe\u00e7o licen\u00e7a \u00e0 autora para acrescentar que a mulher negra \u00e9 o \u2018outro\u2019 n\u00e3o s\u00f3 na perspectiva do homem, como tamb\u00e9m da mulher branca, que ainda insiste em nos enxergar como uma unidade. Se continuarmos com essa universaliza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser mulher, partindo sempre da representa\u00e7\u00e3o da mulher branca, deixamos claro que, mesmo na tentativa de tratar o tema de diversidade de forma consciente e inclusiva, como sociedade seguimos falhando, excluindo e marginalizando as mulheres\u201d, finaliza Liliane Rocha.<\/p>\n<p><strong>Sobre Liliane Rocha <\/strong><\/p>\n<p><em>Fundadora e CEO da Gest\u00e3o Kair\u00f3s \u2013 Consultoria de Sustentabilidade e Diversidade. Executiva com 19 anos de carreira em grandes empresas nacionais e multinacionais.<\/em><\/p>\n<p><em>Conselheira Deliberativa do Instituto Tomie Ohtake, Conselheira Consultiva de Diversidade da Ambev (2020 \u2013 atual), do Conselho do Futuro do IBGC (2022-2023), Impacto &#8211; CEOs Legacy Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (2018-2022), Novelis do Brasil (2021-2022) e Moove (2022).<\/em><\/p>\n<p><em>Docente na P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o na FIA\/USP, Professora Influenciadora na P\u00f3s-PUCPR. Mestre em Pol\u00edticas P\u00fablicas e MBA Executivo em Gest\u00e3o da Sustentabilidade pela FGV. Especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Respons\u00e1vel para Sustentabilidade pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas pela C\u00e1sper L\u00edbero.<\/em><\/p>\n<p><em>Reconhecida como Linkedin Top Voice em 2023 e como uma das 50 Mulheres de Impacto Am\u00e9rica Latina 2022 pela Bloomberg L\u00ednea, e por quatro vezes como uma das 101 Lideran\u00e7as Globais e mais Proeminentes de Diversidade e Inclus\u00e3o pelo World HRD Congress. Colunista da \u00c9poca Neg\u00f3cios, da VOGUE e do InvestNews, na coluna ESG News com Liliane Rocha.<\/em><\/p>\n<p><em>Autora do livro \u201cComo ser uma Lideran\u00e7a Inclusiva\u201d, e Detentora Oficial no Brasil do termo e conceito Diversitywashing \u2013 Lavagem da Diversidade \u2013 desde 2016, devidamente registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob n\u00ba 914651994.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Censos de Diversidade produzidos por Liliane Rocha, CEO e Fundadora da Gest\u00e3o Kair\u00f3s, comprovam que ainda h\u00e1 muito o que melhorar para que o tema da igualdade de g\u00eanero esteja equacionado no Brasil A inclus\u00e3o de mulheres no mercado de trabalho ainda demanda muita aten\u00e7\u00e3o, principalmente quando analisada a partir da interseccionalidade feminina. 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