{"id":7776,"date":"2024-06-07T01:24:31","date_gmt":"2024-06-07T04:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalsaopaulonews.com.br\/?p=7776"},"modified":"2024-06-07T01:24:31","modified_gmt":"2024-06-07T04:24:31","slug":"semana-do-meio-ambiente-grupo-creative-mira-em-negocios-da-economia-circular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalsaopaulonews.com.br\/en\/semana-do-meio-ambiente-grupo-creative-mira-em-negocios-da-economia-circular\/","title":{"rendered":"Semana do meio ambiente: Grupo Creative mira em neg\u00f3cios da economia circular"},"content":{"rendered":"<p>Na l\u00edngua tupi, Itaquaquecetuba significa lugar abundante de taquaras-faca, uma esp\u00e9cie de bambu usado para fabricar utens\u00edlios de ca\u00e7a e de combate. De certo modo, o nome do munic\u00edpio situado na regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo resume alguns dos atributos de sua popula\u00e7\u00e3o, acostumada a enfrentar in\u00fameros desafios no cotidiano. N\u00e3o \u00e0 faca, evidentemente, mas sim com trabalho duro, suor e muita criatividade.<\/p>\n<p>Que o digam os fundadores do Grupo Creative, gigante do segmento de fabrica\u00e7\u00e3o de <em>displays<\/em> e mobili\u00e1rios para o com\u00e9rcio varejista, tanto em volume quanto em tecnologia embarcada. Sua mais nova tacada \u00e9 o desenvolvimento de projetos focados no conceito <em>upcycling<\/em>, t\u00e9cnica de transforma\u00e7\u00e3o de embalagens p\u00f3s consumo em produtos diferentes do original.<\/p>\n<p>O parceiro nesta empreitada \u00e9 a catarinense Rato Design Circular, baseada em Jaragu\u00e1 do Sul (SC) e criadora do ByePlastic, resina feita com insumos coletados por recicladores da cidade. Al\u00e9m do evidente ganho ambiental, outro destaque \u00e9 a versatilidade, uma vez que o produto pode ser convertido em placas usadas no revestimento de pisos e paredes ou para fabrica\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio e demais itens de decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1947\" src=\"http:\/\/publisher.moreiracomunicacao.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/WhatsApp-Image-2024-06-06-at-18.13.23-Copy.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s sempre atuamos com foco na sustentabilidade e no atendimento das necessidades espec\u00edficas de cada cliente, pois entendemos que cada projeto \u00e9 \u00fanico\u201d, explica Andreia Taba, s\u00f3cia-fundadora e diretora-executiva do Grupo Creative. \u201cA parceria com a Rato permitir\u00e1 que ofere\u00e7amos novas op\u00e7\u00f5es de materiais dentro do conceito de economia circular\u201d.<\/p>\n<p>O ByePlastic foi um dos destaques do Creative Lab Summit, evento realizado pelo Grupo, no final de mar\u00e7o, na cidade de S\u00e3o Paulo, e no qual o ecodesign deu o tom. \u201cA disputa pela aten\u00e7\u00e3o do consumidor est\u00e1 cada vez mais acirrada. Por conta disso as marcas est\u00e3o buscando solu\u00e7\u00f5es inovadoras para ganhar e espa\u00e7o e se consolidar no mercado\u201d, destaca o designer J\u00fanior Vendrami, cofundador da consultoria Bubbleless, respons\u00e1vel por apresentar o ByePlastic ao grupo Creative. Como prova de conceito, ele trouxe o Banco Capivara que depois foi exposto na Galeria Metr\u00f3pole, na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, em meio aos eventos da Design Week.<\/p>\n<p>Ao que parece, os objetivos do Summit foram alcan\u00e7ados. \u201cJ\u00e1 recebemos diversas consultas de empresas interessadas na produ\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rios ou <em>displays<\/em>, a partir da upcycling de seus pr\u00f3prios insumos\u201d, diz Andreia.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a 3 Cora\u00e7\u00f5es que estuda a fabrica\u00e7\u00e3o de coletores de c\u00e1psulas de caf\u00e9 feitos de embalagens vendidas pela empresa. A lista de potenciais clientes inclui, ainda, Heineken, L`\u00d3real e O Botic\u00e1rio. \u201cIsso demonstra a maturidade do mercado em assumir a sua responsabilidade na cadeia de descarte consciente\u201d, completa Vendrami.<\/p>\n<p>Mais que uma resina vers\u00e1til e resistente o ByePlastic \u00e9 tido por ele como sendo o estado da arte em mat\u00e9ria de economia circular e regenerativa. Sua cadeia produtiva inclui coletores de res\u00edduos e cooperativas baseados em Jaragu\u00e1 do Sul. A fabrica\u00e7\u00e3o da resina n\u00e3o utiliza quaisquer tipos de aditivos, fazendo com que o processo seja quase artesanal.<\/p>\n<p>\u201cO sistema produtivo \u00e9 complexo, pois exige muita qualifica\u00e7\u00e3o ao longo de suas diversas etapas, para que as placas tenham as caracter\u00edsticas desejadas\u201d, explica ele. Por conta disso, os parceiros recebem um valor at\u00e9 cinco vezes maior por tonelada de material triturado, em rela\u00e7\u00e3o a cota\u00e7\u00e3o de mercado.<\/p>\n<p>Para demonstrar a funcionalidade e a versatilidade do material, o espa\u00e7o onde aconteceu o Creative Lab Summit contou com diversos acess\u00f3rios feitos com o ByePlastic.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1948\" src=\"http:\/\/publisher.moreiracomunicacao.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/WhatsApp-Image-2024-06-06-at-18.13.22-Copy.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p>Andreia explica que o papel da Rato na nova fase do Grupo Creative n\u00e3o se resumir\u00e1 ao fornecimento de insumos. A ideia \u00e9 que as empresas atuem em conjunto, num sistema de inova\u00e7\u00e3o aberta que integre os clientes do Grupo. \u201cQueremos que o varejo e os fabricantes de produtos de consumo nos enxerguem como uma empresa capaz de resolver desafios, a partir de solu\u00e7\u00f5es que embutem criatividade e sustentabilidade, com pre\u00e7os competitivos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Desistir, nunca. Render-se, jamais!<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de estar h\u00e1 mais de 30 anos no segmento industrial, a fam\u00edlia Taba come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria empresarial no varejo. E este setor ficou de tal forma enraizada na mem\u00f3ria de cada um deles que Andreia costuma dizer aos interlocutores que nascera debaixo de um <em>checkout<\/em>. Brincadeiras \u00e0 parte, \u00e9 certo que foi a partir do balc\u00e3o de um minimercado que o patriarca Paulo Taba enxergou a oportunidade de criar expositores para exibi\u00e7\u00e3o de produtos em pontas de g\u00f4ndola ou na frente do caixa.<\/p>\n<p>Trata-se de um item vital na din\u00e2mica di\u00e1ria de uma rede varejista, pois ele incentiva o giro de mercadorias, a partir de compras por impulso. \u201cNa d\u00e9cada de 1970, as grandes marcas n\u00e3o valorizavam o pequeno varejo. Sempre que ped\u00edamos um expositor eles negavam, pois s\u00f3 atendiam os super e hipermercados\u201d, conta Andreia.<\/p>\n<p>O descaso, no entanto, nunca foi o maior problema da fam\u00edlia que conviveu com epis\u00f3dios de viol\u00eancia em meios a furtos e roubos, comuns na regi\u00e3o. Para tentar virar o jogo e ampliar a for\u00e7a dos pequenos, Paulo congregou seus pares a ingressar na Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Supermercados (APAS). Conseguiu a ades\u00e3o de 50 empreendedores e, com isso, foi eleito, de cara, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o, em 1982. A inseguran\u00e7a crescente fez com que a fam\u00edlia optasse por se desfazer do neg\u00f3cio, em 1989.<\/p>\n<p>Naquele momento, Paulo, vislumbrou a possibilidade de abrir uma metal\u00fargica para fabricar expositores e <em>displays<\/em>. Por\u00e9m, mais uma vez, a viol\u00eancia se fez presente. N\u00e3o a das armas, mas a institucional. \u201cTodo nosso dinheiro estava depositado no banco e acabou sendo retido no Plano Collor\u201d, recorda Andreia.<\/p>\n<p>Mas, um Itaquaquetubense, de nascimento ou ado\u00e7\u00e3o, tem na resili\u00eancia um dos seus principais atributos. Foi a\u00ed que surgiu a ideia de vender o \u00fanico im\u00f3vel da fam\u00edlia e investir em um novo neg\u00f3cio. \u201cFomos morar de aluguel e eu me tornei s\u00f3cia do meu pai\u201d, conta.<\/p>\n<p>Conhecer a \u201cdor\u201d dos pequenos comerciantes ajudou na trajet\u00f3ria da nova empresa. Contudo, Andreia destaca que todos os integrantes da fam\u00edlia se prepararam para as novas fun\u00e7\u00f5es. Ela, que pensava em cursar direito, acabou indo fazer administra\u00e7\u00e3o. \u201cO curso de direito no Mackenzie era durante o dia, me impossibilitando de trabalhar. Tive de esperar a empresa se consolidar para ter minha gradua\u00e7\u00e3o em direito.\u201d<\/p>\n<p>A convers\u00e3o da pequena metal\u00fargica, que empregava seis funcion\u00e1rios, em um conglomerado espalhado por um terreno de 22 mil m\u00b2, sendo 18 mil m\u00b2 de \u00e1rea constru\u00edda, foi em etapas. A primeira delas se deu em 1997, com a funda\u00e7\u00e3o da Creative, num galp\u00e3o de 700 m\u00b2, onde permaneceu at\u00e9 mudar para o endere\u00e7o atual, em 2003. Seis anos depois, a parceria com grupos estrangeiros garantiu a moderniza\u00e7\u00e3o do parque fabril e a tecnologia passou a dar o tom.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, o neg\u00f3cio j\u00e1 havia se estabelecido como uma refer\u00eancia no setor. Tanto que continuou gerando filhotes, como a divis\u00e3o Creative D+, a Creative Display, a Creative LAB e a Creative Retail, passando a operar de forma vertical, dominando praticamente todas as etapas do processo. A linha de produtos evoluiu do display para todas as mob\u00edlias do interior de uma loja e, hoje, o complexo industrial do Grupo abriga gr\u00e1fica, metal\u00fargica e estamparia, que atendem clientes do porte de Diageo, Centauro, Renner, Nike, C&#038;A, Riachuelo, Duracell e Colgate, entre outras.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na l\u00edngua tupi, Itaquaquecetuba significa lugar abundante de taquaras-faca, uma esp\u00e9cie de bambu usado para fabricar utens\u00edlios de ca\u00e7a e de combate. De certo modo, o nome do munic\u00edpio situado na regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo resume alguns dos atributos de sua popula\u00e7\u00e3o, acostumada a enfrentar in\u00fameros desafios no cotidiano. 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